Publicado por: rockenbach | Março 29, 2008

Senhores do Crime

 

(Eastern Promises –  EUA – 2007 )

Direção de David Cronenberg, com Viggo Mortensen, Naomi Watts, Armin Muller-Stahl,  Vincent Cassel 

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Basta um olhar superficial sobre este “Senhores do Crime”para percebermos que se trata de um filme incomum: primeiro, o pano de fundo envolve a máfia russa em Londres, algo que,convenhamos, o cinema não costuma abordar com frequência. Depois, temos David Cronenberg na direção, repetindo a parceria de sucesso com Viggo Mortensen em “Marcas da Violência”. E, por último, deixe de lado o terrível título nacional e concentre-se na amplitude do título original, “Promessas do Leste” para se dar conta de que o mais recente filme de Cronenberg, se não se compara a trabalhos menos comerciais do diretor, também não envereda pela trilha fácil do cinemão blockbuster.

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Publicado por: rockenbach | Março 16, 2008

10.000 A.C.

(10,000 B.C. –  EUA – 2008 )

Direção de Roland Emmerich, com Steven Strait, Camilla Belle, Cliff Curtis

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  Roland Emmerich é um covarde. À base de muito dinheiro, criou uma fórmula eficientíssima,fez a cama e deitou nela. Abdicou de ser corajoso, de apostar em seu talento, de fazer alguma diferença. Parece ter apostado na sua habilidade em criar cenas monumentais, grandiosas, de trazer ao público momentos que ele só poderia ver em um cinema – e em um de seus filmes – e, com esta cama feita, esqueceu de levantar e seguir em frente. “10.000 A.C.” é um retrocesso imenso depois de acertar a mão em “O Dia Depois de Amanhã”. De certa forma, é uma decepção tão grande, senão maior do que foi Godzilla. Em Godzilla, pelo menos, ele prometia destruição e a imensa criatura. Em “10.000 a.C.” ele promete muita ação, mas tudo o que conseguiu criar nesse sentido pôde ser resumido no trailer. O resto é um enxerto entre estas cenas.

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Publicado por: rockenbach | Março 16, 2008

Medo da Verdade

 

(Gone Baby Gone –  EUA – 2007 )

Direção de Ben Affleck, com Casey Affleck, Michele Monaghan, Ed Harris, Amy Ryan, Morgan Freeman, Amy Madigan. 

 “Estamos numa guerra filho. Estamos ganhando? Não.”

Em determinado momento de “Medo da Verdade”, filme de estréia de Ben Affleck na direção, o policial Remy, interpretado pelo sempre ótimo Ed Harris, troca uma idéia com o jovem detetive Patrick Kenzie, de Casey Affleck, irmão do diretor – e com muito mais futuro à frente das câmeras. Este é um momento crucial de um filme que, até então, mostrava um diretor estreante com pleno domínio de espaço, uma edição ágil e uma história que, para o público, parecia mal contada, literalmente, mas que se revela uma surpresa e origina uma pergunta:  em que ponto da carreira Ben Affleck se perdeu e esqueceu que tinha talento? Menos mal que ele, finalmente, ressurgiu depois do roteiro de “Gênio Indomável”, que lhe rendeu um oscar.

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Publicado por: rockenbach | Março 13, 2008

Dia dos Mortos ( 2007 )

 

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(Day of the Dead -  EUA – 2007 )

Direção de Steve Miner, com Mena Suvari, Michael Welch,  Ving Rhames

Prepare-se para o pior filme do ano. Estamos no primeiro trimestre, mas vencer “Dia dos Mortos” é tarefa titânica.
Para ter uma idéia, o filme foi feito em 2006. Em outubro de 2006, anunciava-se o lançamento para abril de 2007. Agora, o filme teve seu lançamento nos cinemas cancelado, e chegará diretamente em vídeo, provavelmente no mês que vem no Brasil. Sentiu o drama?
É curioso o caminho percorrido por certos filmes. Quando esse remake de “day of the Dead”, de 1985, dirigido por George Romero, termina, é difícil não fazer certas perguntas: alguém escreveu esta coisa. Esse alguém mostrou esta coisa para um agente, que achou que poderia vender. É a única parte inteligente do processo, porque ele realmente conseguiu vender a idéia. Um produtor achou que seria ótimo, um diretor imaginou que poderia criar algo decente e atores como Mena Suvari e Ving Rhames imaginaram estar diante de algo bom. Ou isso, ou muita gente está precisando pagar o aluguel, porque o mico é grande demais. Repito: demais. “Dia dos Mortos” é muito, mas muito ruim.
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Publicado por: rockenbach | Março 13, 2008

Elizabeth – A Era de Ouro

 

(Elizabeth, the Golden Age. –  EUA – 2008 )

Direção de Shekar Khapur, com Cate Blanchett, Geoffrey Rush, CLive Owen

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Sempre fui a favor de liberdades criativas quando estas vêem em favor de um filme. No caso de uma adaptação literária, quando essas liberdades são bem feitas acabam enriquecendo a narrativa sem detrimento da obra original. No caso de filmes históricos, muitas vezes essas liberdades surgem em prol do espetáculo, como foi o caso da versão romanceada da vida de William Wallace em “Coração Valente”. No caso de “Elizabeth”, de 1998, as liberdades criativas vinham unicamente dos brilhantes diálogos do roteiro de Michael Hirst, mas havia uma certa preocupação com o fato histórico. Quase dez anos depois do filme que apresentou Cate Blanchett de forma esplendorosa ao mundo, o mesmo diretor Shekhar Khapur volta a visitar a história da Rainha Virgem, mas desta vez o pulso firme com o qual ele visitou esse universo torna-se pesado, e as liberdades históricas das quais “Elizabeth – A Era de Ouro” se apossa acabam por empalidecer o filme que retrata uma das épocas mais importantes da história britânica.
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Publicado por: rockenbach | Março 12, 2008

Cloverfield

 

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(Cloverfield –  EUA – 2007 )

Direção de Matt Reeves, com Lizzy Caplan, Jessica Lucas, TJ Miller

Questão simples: busque na memória os filmes catástrofe mais marcantes dos últimos tempos. Qual o grande barato de Independence Day? Ver prédios famosos destruídos em explosões fantásticas – e principalmente ver a Casa Branca ir pelos ares. Qual o grande barato de O Dia Depois de Amanhã? A grande onda invadindo e destruindo Nova Iorque, as imagens apocalípticas de uma nova Era Glacial. Qual o grande – provavelmente único – barato de Godzilla? Ver o lagartão destruindo prédios na passagem por Nova Iorque, principalmente a cena em que ele surge pela primeira vez, à luz do dia. O que provocou tanto boca a boca em Cloverfield? O visual do monstro que ataca Nova Iorque – sempre Nova Iorque. Por que, quando o filme termina, fica uma sensação de algo interrompido, de algo que não desceu completamente? Porque os maiores atrativos de um filme catástrofe não ficam na imaginação, mas no visual. É diferente de um suspense como Tubarão, onde sentimos medo do que não podemos ver. Em Cloverfield, o monstro anuncia sua chegada, vemos a destruição, não existe suspense, a atração existe principalmente nas primeiras cenas em que algo estranho começa a acontecer, e apesar de se diluir aos poucos, a idéia de acompanhar um grupo de pessoas comuns durante a noite em que um monstro invade Nova Iorque é ótima, prende nossa atenção. Mas também não existe a complementação da necessidade visual de um filme catástrofe: não conseguimos distinguir muito bem o rastro de destruição do monstrengo. Ele mesmo é uma pálida visão de uma câmera amadora tremida.Pode parecer simplista e digno de um apreciador de blockbusters, mas como seria legal ver a cabeça da Estátua da Liberdade sendo arrancada como foi vermos a onda gigante cobrindo-a em “O Dia depois de Amanhã”. Cloverfield foi concebido para ser o fenômeno via internet. Cumpre o que promete a partir do seu ponto de vista, mas seu ponto de vista é insatisfatório para agradar aos pontos básicos de um filme catástrofe: mostre a platéia o que ela quer ver, e ela quer ver cenas chocantes de destruição. Em close, à luz do dia, sem meio-termos.
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Publicado por: rockenbach | Março 11, 2008

Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet

 

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(Sweeney Todd – The Demon Barber of Fleet Street. –  EUA – 2008 )

Direção de Tim Burton, com Johnny Depp, Helena Bonham-Carter, Alan Rickman

Ame Tim Burton, ou odeie, e nesse caso, passe longe dele. Se ficar no meio termo, no mínimo, ele afetará você de alguma maneira. “Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet” não é apenas a representação visual perfeita do universo gótico em que o diretor parece habitar ( e só sair, de tempos em tempos, para dirigir seus filmes ). Seu novo filme parece ser o ponto culminante de uma estética sombria que vinha sendo ensaiada em todos os seus filmes, até chegar o momento em que o diretor, captando o que melhor aprendeu em suas tentativas anteriores, conseguiu reunir e apresentar em um único quadro. O quadro, no caso, é pincelado por poucas cores, mas manchado de vermelho.
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