

(Cloverfield – EUA – 2007 )
Direção de Matt Reeves, com Lizzy Caplan, Jessica Lucas, TJ Miller
Questão simples: busque na memória os filmes catástrofe mais marcantes dos últimos tempos. Qual o grande barato de Independence Day? Ver prédios famosos destruídos em explosões fantásticas – e principalmente ver a Casa Branca ir pelos ares. Qual o grande barato de O Dia Depois de Amanhã? A grande onda invadindo e destruindo Nova Iorque, as imagens apocalípticas de uma nova Era Glacial. Qual o grande – provavelmente único – barato de Godzilla? Ver o lagartão destruindo prédios na passagem por Nova Iorque, principalmente a cena em que ele surge pela primeira vez, à luz do dia. O que provocou tanto boca a boca em Cloverfield? O visual do monstro que ataca Nova Iorque – sempre Nova Iorque. Por que, quando o filme termina, fica uma sensação de algo interrompido, de algo que não desceu completamente? Porque os maiores atrativos de um filme catástrofe não ficam na imaginação, mas no visual. É diferente de um suspense como Tubarão, onde sentimos medo do que não podemos ver. Em Cloverfield, o monstro anuncia sua chegada, vemos a destruição, não existe suspense, a atração existe principalmente nas primeiras cenas em que algo estranho começa a acontecer, e apesar de se diluir aos poucos, a idéia de acompanhar um grupo de pessoas comuns durante a noite em que um monstro invade Nova Iorque é ótima, prende nossa atenção. Mas também não existe a complementação da necessidade visual de um filme catástrofe: não conseguimos distinguir muito bem o rastro de destruição do monstrengo. Ele mesmo é uma pálida visão de uma câmera amadora tremida.Pode parecer simplista e digno de um apreciador de blockbusters, mas como seria legal ver a cabeça da Estátua da Liberdade sendo arrancada como foi vermos a onda gigante cobrindo-a em “O Dia depois de Amanhã”. Cloverfield foi concebido para ser o fenômeno via internet. Cumpre o que promete a partir do seu ponto de vista, mas seu ponto de vista é insatisfatório para agradar aos pontos básicos de um filme catástrofe: mostre a platéia o que ela quer ver, e ela quer ver cenas chocantes de destruição. Em close, à luz do dia, sem meio-termos.
Leia mais