Publicado por: rockenbach | Março 13, 2008

Dia dos Mortos ( 2007 )

 

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(Day of the Dead -  EUA – 2007 )

Direção de Steve Miner, com Mena Suvari, Michael Welch,  Ving Rhames

Prepare-se para o pior filme do ano. Estamos no primeiro trimestre, mas vencer “Dia dos Mortos” é tarefa titânica.
Para ter uma idéia, o filme foi feito em 2006. Em outubro de 2006, anunciava-se o lançamento para abril de 2007. Agora, o filme teve seu lançamento nos cinemas cancelado, e chegará diretamente em vídeo, provavelmente no mês que vem no Brasil. Sentiu o drama?
É curioso o caminho percorrido por certos filmes. Quando esse remake de “day of the Dead”, de 1985, dirigido por George Romero, termina, é difícil não fazer certas perguntas: alguém escreveu esta coisa. Esse alguém mostrou esta coisa para um agente, que achou que poderia vender. É a única parte inteligente do processo, porque ele realmente conseguiu vender a idéia. Um produtor achou que seria ótimo, um diretor imaginou que poderia criar algo decente e atores como Mena Suvari e Ving Rhames imaginaram estar diante de algo bom. Ou isso, ou muita gente está precisando pagar o aluguel, porque o mico é grande demais. Repito: demais. “Dia dos Mortos” é muito, mas muito ruim.

Fazia muito tempo que eu não sentia vontade de apertar o botão de Forward assistindo um filme. E olhe que gosto de filmes de zumbis. Desde os antigos até a nova safra, principalmente “Madrugada dos Mortos” e “Terra dos Mortos”. O primeiro, com a marca visual do diretor Zack Snider – e assustador – e o segundo, menos assustador e mais escatológico, mas com a marca da ironia e a crítica social do diretor Romero. O novo “diary of the Dead” de Romero está sendo muito aguardado.O problema foi tocarem no último rebento da trilogia clássica do diretor ( além de Despertar dos Mortos, o clássico A Noite dos Mortos-Vivos havia ganhado uma refilmagem decente nos anos 90 ).
Em “Dia dos Mortos”, uma equipe de cientistas e militares fica preso em um abrigo subterrâneo enquanto acima do subsolo os mortos tomam conta de uma cidade, matando e devorando os vivos. A premissa é quase igual, com a diferença que é preciso substituir alguns cientistas por jovens bonitos e mulheres gostosas. Com essa idéia básica nas mãos, “O Dia dos Mortos” é um amontoado de cenas de zumbis correndo de um lado para outro que se afunda em um festival de clichês e furos de roteiro. Pior do que isso, são as besteiras que tornam o filme ridículo. O parágrafo seguinte tem spoilers, então, se você acha que pode ter alguma surpresa com o filme, fique com essa avaliação dele e decida se assiste ou não.

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Senão vejamos: você já viu um Zumbi que não ataca humanos? Não só por guardar resquícios de humanidade, mas porque ele é… vegetariano (!!!!!!!!!!) Outros zumbis são inteligentes e entendem, por exemplo, uma mensagem de rádio. Claro que nem todos, apenas aqueles zumbis relacionados ao grupo de atores principais. E a explicação para nem todos estarem infectados pelo vírus responsável pela epidemia – sim, é uma epidemia, já que desde “Resident Evil” zumbis são cientificamente explicados, e o único que ainda resiste na explicação simples de serem mortos andando na terra é o bom e velho Romero – é que algumas pessoas, inexplicavelmente, são imunes a ele. Que conscidência, todos do grupo principal são imunes e estão nessa estatística.
Entre os humanos, quem é mau caráter é mau mesmo, e o roteiro (!) se encarrega de explicar isso quando o personagem em questão tem a chance de salvar uma jovem que surge, inexplicavelmente, pedindo auxílio. Claro que ele não a ajuda e a condena a morte. A situação em que ela surge é tão ridícula que percebe-se que o único motivo dela aparecer é para mostrar que o personagem mau é muito, muito mau… que cara mau!!
O começo sem pé nem cabeça não se preocupa em explicar algo, simplesmente vai amontoando uma situação atrás da outra partindo da premissa que todos sabem que é um filme de zumbis, claramente dizendo que está louco para mostrar sangue escorrendo na tela. E Ving Rhames, pelo menos, parece saber disso: ele está deliciosamente canastrão. Chega a rir em cenas em que deveria parecer sério. Parece ser o único na produção consciente da porcaria que estavam fazendo. Mena Suvari, por outro lado, empresta tanta seriedade e concentração em sua atuação que chega a dar dó. Algumas questões do roteiro (!) nunca são explicadas, como a arma descarregada, um trauma que só existe para justificar certas passagens, mas nunca ganha corpo. Mas quer saber: buscar coerência em um filme desses é tão idiota quanto tentar descobrir a idade – pelo menos mental – de quem escreveu o roteiro. E quando achei que já estava me livrando da tortura, eis que o brilhante roteiro (!) reserva o maior dos clichês da história do cinema no seu final. O ponto positivo: pelo menos ali, eu senti muito, muito medo… de que alguém possa querer uma continuação.
Sai fora…

PS: dêem nome aos criminosos – o roteiro é de Jeffrey Reddick e a direção de Steve Miner.


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